segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Apologia

Então, pelo que eu entendi, segundo os tão indignados críticos da exposição em Porto Alegre, se uma obra de arte retrata uma situação em que um crime está sendo cometido, ela dele está fazendo apologia...? É isso, não? Bom... Fico aqui então abismado ao pensar, caso eles estejam certos, na incomensurável quantidade de não apenas quadros e esculturas, mas de livros, filmes, peças, novelas etc em que isso acontece ou aconteceu...! Já pararam para pensar? Quantos e quantos homicídios, por exemplo, já não foram retratados por obras de arte através dos séculos?!? Quantos e quantos crimes, por exemplo, em grandes clássicos da literatura?!? Em "Lolita", de Nabokov, por exemplo, temos então apologia ao estupro de vulneráveis...! Em "O Estrangeiro", de Albert Camus, apologia ao homicídio...! Em 1984, de George Orwell, à tortura...! E quantos homicídios em "O Nome da Rosa"? Apologia pura então!?! E o que dizer das nossas tão populares telenovelas? Quanta apologia deslavada! Apologia ao homicídio, ao latrocínio, às lesões corporais, às vias de fato, ao roubo, à extorsão, à corrupção, ao rufianismo etc...! Aliás, não posso deixar de comentar sobre duas das atuais novelas da rede Globo, a das sete e a das nove, as quais, se não me engano, fazem, respectivamente, apologia do crime de furto, já que a história se dá em torno da subtração de milhões de dólares do cofre de um hotel de luxo, e do tráfico de drogas, com o qual, pelo pouco que acompanho, a personagem da atriz Juliana Paes parece estar envolvida até o pescoço, não é mesmo? Então, pela linha de raciocínio empregada com relação à exposição, é tudo apologia ao crime!!! E ainda no horário nobre da televisão, veículo que entra na casa de todos!!! Uma apologia ao crime covarde e absurda!!! E sobre filmes, será que vale a pena citar alguns...? Acho que não... É tanta, mas tanta, mas tanta apologia ao crime, que eu simplesmente nem sei por onde começar... Ah! Desculpem! De repente me lembrei da cena do estupro no livro "Capitães da Areia", de Jorge Amado...! Que horror, não? Apologia ao estupro! Que coisa terrível! Abominável! Devem decerto tê-lo processado e preso, imagino, além de proibido o livro... Ahhh! E aquele traficante de armas e drogas no filme "Taxi Driver"? Horrrrrorrrrrrr!!! Apologia ao tráfico de armas e drogas numa mesma cena!!! Como pode??? Cadeia para todos já!!! Bem... Não vou me estender muito mais... Vou terminar apenas lembrando a bíblia... Sim, a bíblia! Sim, isso mesmo, a bíblia sagrada! Para quem não sabe, ela também é pródiga em retratar, e portanto disso, se o raciocíno é esse, fazer apologia, homicídios, tortura, injúria, calúnias, difamações, rixas, incestos (vá lá que - ufa - ao menos incesto não é crime) etc... Apologia pura também, não acham? Tudo bem. Os que, de modo diametralmente oposto a mim, crêem que a bíblia é um livro de histórias que de fato aconteceram, e não imaginárias, não arte portanto, dirão que isso faz com que aí não se trate de apologia. Mas aí também fico pensando... Será que isso também não pode haver se dado com alguma das obras expostas em Porto Alegre? Hum?
Ai... Lembrei-me agora das tão a vários e terríveis crimes apologizante mitologia grega... Quantas e quantas obras... Mas, ah... Deixa pra lá...
 
Gugu Keller 

domingo, 24 de setembro de 2017

Etrom

No paradoxo do suicida, uma aposta enlouquecida em afinal alguma vida.

Gugu Keller

sábado, 23 de setembro de 2017

Teogênese

O homem claramente criou deus à sua fiel imagem e semelhança: julgador, vingativo, cruel, vaidoso e, acima de tudo, incoerente e contraditório.

Gugu Keller

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

P/ Vladimir e Estragon

O a trazer algum sentido que, sabemos, não virá, às sextas-feiras parece-nos mais próximo.

Gugu Keller

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Oyster

Em teu pérola pélvico pórtico eu apto aporto. E me pérfuro pêndulo ávido pedra aposso.

Gugu Keller

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cura Gay

A tão falada, e novamente na ordem do dia, "cura gay", tendo a crer, de fato existe. Sim. Consiste em nada mais do que os homossexuais buscarem a sabedoria, a maturidade e a serenidade plenas para, afinal e em definitivo, vivenciarem sua sexualidade de modo completo e intenso, livres de quaisquer culpas, medos ou vergonhas, sobretudo sem dar ouvidos a toda a baboseira preconceituosa que tanto reverbera por aí, advinda, no mais das vezes, de pretensos líderes religiosos toscos, hipócritas e parasitas do povo humilde. Eis, amigos, a "cura gay".
 
Gugu Keller

segunda-feira, 18 de setembro de 2017